Em poucas semanas

– Estou precisando de ajuda, urgente! Minha cachorra, uma vira-lata de mais ou menos 20kg, está completamente doida – era o que dizia a Sra. Alice ao telefone.

– O que ela tem feito para a Sra. estar tão nervosa?

– Ela está sempre muito acelerada, late demais, mordisca nossos braços e pernas, pula nas pessoas, faz xixi pela casa e corre de um lado para o outro quebrando tudo. Na rua, a situação é ainda pior. Nos arrasta fazendo muita força, tenta brigar com outros cães, enfim, tudo o que você possa imaginar de errado, ela faz.

Marcamos uma visita e ao chegar à sua casa foram necessários apenas cinco minutos para que eu não agüentasse mais a cachorra. Arranhou-me todo, sujou minha roupa, latia insistentemente e não me deixou conversar com a Sra. Alice seu filho André. Com bastante dificuldade consegui passar as primeiras orientações e fiquei de voltar uma semana depois.

Na segunda visita o comportamento da cadela era nitidamente diferente, foi fácil entrar no apartamento, sentar no sofá e até mesmo conversar. Ficou claro para mim que a orientação sobre quem deve tomar a iniciativa do contato foi colocada em prática. Fiquei muito satisfeito e passei novas orientações.

Na terceira visita a melhora também foi visível e a Nina já estava acertando o local de fazer as necessidades. Seus proprietários afirmavam estar, inacreditavelmente, mais agradável o convívio com ela. Começamos então a pensar em um trabalho mais voltado para a rua, tendo em vista que nos passeios a situação era crítica. Passei algumas opções de métodos que poderiam ser usados, deixando bem claro que uma delas era a minha favorita. Apesar de ser a menos aceita pela Sra. Alice, ela acabou se propondo a colocar em prática, graças ao apoio que seu filho deu aos meus argumentos.

Na quarta visita eu não tinha grandes expectativas e já estava preparado a repetir as mesmas orientações dadas anteriormente, mas para minha absoluta surpresa ficou claro que a orientação sobre a valorização do alimento havia sido colocada em prática. A aula foi fantástica e marcamos outro encontro dali a duas semanas.

Na quinta visita aconteceu o que poucas pessoas que conheciam a Nina poderiam acreditar. Em poucas semanas aquela cadela alucinada, enlouquecida e quase sempre inconveniente, estava diante dos olhos perplexos de sua proprietária, brincando solta em uma rua com pouco movimento, experimentando pela primeira vez a sensação de total liberdade. Corria como uma flecha de um lado para o outro, com a obediência de vir até nós quando a chamávamos. Ficou claro para a Sra. Alice que não foi necessário retirar da cadela todo seu entusiasmo, sua energia e vitalidade, apenas direcionarmos sua atenção, para que ela se tornasse mais obediente e agradável na rua.

Na sexta visita não fui para dar aula e sim para o aniversário do André que fazia 18 anos. Ele e sua mãe estavam orgulhosos em relação ao comportamento da Nina durante a festa. Os convidados que não a viam há algum tempo, surpresos. Eu, mais convicto que nunca sobra a rapidez e eficiência do método. Mas de todos nós, quem estava mais feliz sem dúvida alguma, era a Nina, afinal de contas era a primeira reunião em sua casa, em que ela não precisou ficar presa na área de serviço. Circulava como uma dama entre convidados, copos de bebidas, docinhos, salgados e o bolo.

A Sra. Alice me agradecia muito, então fiz um pedido:

– A senhora se dispõe a conversar com pessoas que queiram pedir informações sobre o método usado com a Nina?

– Claro que sim, será um prazer! Passe meu telefone e e-mail.

Tel: 2208-7426 / cel: 9942-1558 / e-mail: malice@susep.gov.br

 

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